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Opinião


Quatro desafios

O Brasil tem o oitavo maior mercado interno de Tecnologia da Informação do mundo e, somado a Comunicações, representa 8,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, com faturamento de US$ 140 bilhões, em 2009. O mercado mundial de software e serviços de TI hoje é de US$ 1,4 trilhões e, em 2020, será de mais de US$ 3 trilhões. As oportunidades de se exportar a partir do Brasil, passarão de US$ 100 bilhões este ano – quando o país exportará apenas US$ 4 bilhões e a Índia atingirá aos US$ 60 bilhões – e chegarão a US$ 500 bilhões em 2020. Neste novo cenário, a Índia pretende exportar US$ 300 bilhões e as estimativas brasileiras apontam para US$ 20 bilhões em exportações e um mercado interno de US$ 125 bilhões, mantendo, portanto, sua posição entre os maiores do mundo.

As oportunidades nos próximos anos são inúmeras e por diversas razões o país tem todas as condições de se tornar um competidor estratégico. Os desafios, no entanto, também são enormes e para que possamos aumentar as reais chances de o Brasil se posicionar no mercado global, eu defino quatro desafios como os principais: desoneração do setor; capacitação e treinamento de pessoal para suprir a demanda do mercado; fortalecimento das empresas e por último, mas não menos importante, incentivo à inovação.

Como resultado da alta carga fiscal, as folhas de pagamento das empresas de TI são oneradas em aproximadamente 36%. Como cerca de 70% dos custos de uma empresa é composto pela folha de pagamento, a mão de obra brasileira fica extremamente proibitiva, fazendo com que hoje nós tenhamos os mais altos custos trabalhistas do mundo, sendo o Brasil, por exemplo, 40% mais caro que a Argentina e 70% mais caro que a Índia.

Pensando em melhorias, as entidades representativas do setor apresentaram ao governo uma proposta de mudança na forma de contribuição que promete reduzir custos de forma relevante e corrigir distorções de mercado, sem prejudicar a arrecadação pública. A idéia é trocar a tributação em folha das empresas por um percentual do faturamento, o que refletiria em uma tributação semelhante à de setores outros da indústria.

Outro fato que contribui para o custo elevado da mão de obra é a pirâmide salarial, que hoje se assimila a um pentágono, já que o baixo número de entrantes no setor faz com que pessoas com níveis salariais mais altos tenham de fazer trabalhos menos nobres. O segundo desafio da indústria é, portanto, transformar este pentágono em uma pirâmide, de fato. Para isso, é preciso alargar sua base e diminuir o custo salarial médio, criando mais cursos de capacitação, por meio de programas de inclusão digital, por exemplo.

Embora existam empresas de pequeno e médio porte extremamente importantes, para competir internacionalmente no setor de TI, é fundamental que se tenham empresas de grande porte; e este é o terceiro desafio do Brasil. Por conta do alto custo da mão de obra e da limitada oferta de profissionais, a indústria brasileira acaba sendo alvo da informalidade, o que a impede de crescer e competir com mais audácia no cenário global.

Essa condição de informalidade limita a capacidade das companhias de buscar capital por meio do mercado acionário ou de IPOs, por exemplo, o que dificulta o crescimento das empresas e o aumento de seus investimentos para a melhoria de seu trabalho e produtividade.

Por fim, está travada também uma batalha de incentivo à inovação, uma vez que ela permeia todas as mudanças necessárias e essenciais ao bom desempenho da indústria; afinal, não basta ter porte, empresas fortes ou um setor bem regulado, se não há inovação.

Para que o Brasil chegue em 2020 com a terceira ou quarta maior economia de TI do mundo e para que haja uma defesa consistente de seu mercado interno, é absolutamente necessário que o país vença esses quatro desafios agora. Naturalmente, existem muitas prioridades, mas essassão fundamentais e inadiáveis.

Antonio Gil



 
    Opinião:
 

“ As oportunidades nos próximos anos são inúmeras e por diversas razões o Brasil tem todas as condições de se tornar um competidor estratégico.”

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